O termo Pós-modernismo soa estranho, porque parece conter uma oposição declarada ao Modernismo, ou sua supressão, ou sua superação. O termo pode ser considerado ainda semanticamente instável, nada consensual entre os estudiosos. Entretanto, essa parece ser a expressão que cada vez mais se firma nos meios intelectuais com referência a essa época que abrange difusamente a segunda metade do século XX e o início do século XXI. Ihab Hassan, em seu livro The dismemberment of Orpheus, propõe um termo no mínimo insólito: Age of Indetermanence, uma combinaçãode intederminacy e imanence ((em português seria algo do tipo Era da Indetermanência, de indeterminação e imanência)).Na literatura, redescobrimos constantemente obras precursoras do Pós-modernismo como as de Sade, Rimbaud, Proust, Mallarmé, Hölderlin, Kafka, Beckett, Faulkner, Joyce, Borges. No Brasil, é surpreendente a "pósmodernidade" de Machado de Assis, Clarice Lispector,Guimarães Rosa e Manoel de Barros para não falar de certos textos de Drummond,Quintana por exemplo. Algumas dessas obras são normalmente caracterizadas como modernistas, e algumas mesmo como pré-modernas, o que contribui para a instabilidade da expressão "Pós-modernismo".Não podemos, por conseguinte, definir Pós-modernismo, não podemos estabelecer seus limites, não podemos assegurar seus traços dominantes. Podemos, entretanto, falar sobre essa instabilidade, esse deslizamento, em que o significante abalado ressoa o próprio abalo do período artístico, que não se assenta sobre sólidas fundações.
Extraído da apostila da disciplina Literatura Brasileira IV para UFC Virtual.
Autor: Professor coordenador da disciplina Cid Otoni Bylaardt.
Nenhum comentário:
Postar um comentário